23 dicas para o livro sair da estante (Revista Crescer junho 2010) | |
Escolher, cuidar e amar 1 – Quarto, sala, cozinha, banheiro... não importa onde os livros estejam guardados. Em casa devem estar acessíveis em armários, estantes ou prateleiras baixas, para as crianças pegarem com facilidade. 2 – O ideal é que sejam mantidos limpos e organizados, de forma mais simples para você e seu filho (por gosto, temas, ordem alfabética...). 3 – Livro impecável é livro nada lido. Ensine seu filho a cuidar e preservar o livro, mas não exagere: tem que ter cara de usado, de mexido e remexido. 4 – A hora da leitura é troca de afeto. Você para tudo e lê para a criança e ela entende o recado: ao pegar e escolher o livro você está mostrando o carinho por aquele objeto e seu filho vai aprender a amá-lo também. | Brincar, imaginar, sonhar 12 – Que tal bolar com a criança uma encenação teatral? Demarque um espaço na casa e peça que ela invente uma voz para os personagens. Depois relêem a história e interpretem o enredo. 13 – Para incrementar e tornar a brincadeira mais criativa, use objetos de casa para interpretar. Um saleiro pode virar um sultão, um pote, uma princesa, um lenço, uma bruxa... 14 – Quando terminarem brinquem de mudar o final ou de incluir algo mais na história. Pode ser uma palavra, um outro adjetivo, um rumo diferente. 15 – A ilustração é ponto de partida para referências artísticas. Desejar as histórias pode ser também ótima forma de brincar e memorizar um livro. 16 – Se meias antigas podem virar bonecos, que tal costurar um botão aqui, uma linha ali, igual do personagem da vez? 17 – Filmes e peças teatrais baseadas na história também são ótimas formas de mostrar o quanto pode render o livro que amamos. 18 – O livro pode ainda virar um brinquedo. Dar para brincar de biblioteca, de livraria, empilhá-los ou colocá-los abertos lado a lado, formando casinhas ou outros objetos simbólicos. |
Hora e lugares certos 5 – Ler antes de dormir é uma delícia, é muito útil, mas boas leituras podem acontecer de manhã cedo, depois do café da manhã, na volta da escola, após o almoço de domingo... , toda hora é hora. 6 – Em uma sala de espera, de consultório, em uma viagem de carro, no quarto, na sala, no jardim, no banheiro... O importante é a leitura acontecer quando houver disposição por parte da criança de quem lê para ela. 7 – Ver os pais lendo é um dos maiores incentivos. Aproveite a hora que você está em mãos para estimular. Também na criança há leitura individual: enquanto você está com o seu, ela escolhe e folheia um da maneira que quiser. Ótimo treino para quando ela começar a ler sozinha. | Trocar e compartilhar 19 – Com o tempo, ler torna-se uma atividade individual, mas falar sobre os livros é hábito que pode começar cedo. 20 – Incentive que seu filho troque livros com os amigos, e a escola é um ótimo espaço para isso acontecer. Se essa não for uma prática na escola, converse com os professores. 21 – Escolha com seu filho livros que ele goste para dar de presente aos amigos. 22 – Se for um dia todo de brincadeira com os amigos em casa, que tal uma pausa para ler? Pode começar por você e conforme a idade da criança estimule que eles assumam: as maiores podem ler para os menores. 23 – Uma história sempre há de ser relembrada. Que tal no carro um papo sobre história da noite anterior? Ações como esta pode mostrar que livro é coisa que fica dentro da gente. E que isso é uma delícia. |
Um jeito especial de ler 8 – Ler com calma. Degustem o livro em parceria. Se a criança tiver vontade de ficar mais tempo em uma ilustração ou se quiser fazer perguntas, deixe a conversa rolar. Se for o caso, use um marcador e continue a leitura no dia seguinte. Não se prenda ao tamanho do livro, nem à obrigação de concluí-lo em um só fôlego. 9 – Evite fazer a leitura em um único tom de voz. Vá mudando a entonação de acordo com os momentos da trama, troque olhares com a criança. Faça perguntas, dê risadas, chore, expresse suas emoções. 10 – Interrompa a leitura em alguns momentos. Se estiver lendo um livro mais complexo, e converse com seu filho sobre a história. Assim você cria a oportunidade de questionar. 11 – Se a criança quem estiver lendo em voz alta, evite corrigi-la em eventuais erros e tropeços, faça poucas interferências e com suavidade. Para crianças que ainda não tem influências, leituras intercaladas do tipo jogral podem ser interessantes. | |
domingo, 24 de abril de 2011
Dicas para os pais
quinta-feira, 21 de abril de 2011
O mundo dos livros
Por que ler?
Ler é essencial para abrir novos horizontes.
E para aqueles que não gostam de ler, o que fazer?
Será preguiça? Coisas mais interessantes para fazer? Falta de tempo?
Nunca é tarde para descobrir o mundo maravilhoso contido nos livros, o vício é para sempre.
Vamos refletir com algumas frases e pensamentos sobre a riqueza que nos oferecem os livros:
O mundo dos livros
É a criação mais notável do homem,
Nada que ele constrói perdura.
Os monumentos ruem,
As nações perecem,
As civilizações envelhecem e morrem
E depois de uma era de obscurantismo,
Novas raças constroem outras.
Mas no mundo dos livros, há volumes
Que viram isto acontecer repetidas vezes.
E continuam vivos
E continuam novos.
Continuam tão vigorosos como no dia em que
Foram escritos.
Falando ainda aos corações dos vivos
Dos corações dos mortos, há séculos.
Clarence Day (escritor americano)
“Ler é melhor do que ir ao cinema, viajar ou usar porcarias que tiram o sujeito do sério. Ao ler você produz, dirige e estrela o filme dentro de sua cabeça; viaja sem os inconvenientes da viagem; e penetra em mundos dos quais volta mais humano e mais sábio. Nada expande mais a consciência do que um bom romance ou qualquer livro inteligente…”
Ruy Castro (jornalista)
Ruy Castro (jornalista)
“O vírus do amor ao livro é incurável, e eu procuro inocular esse vírus no maior número possível de pessoas.”
José Mindlin (jornalista e escritor)
José Mindlin (jornalista e escritor)
“Mostre-me uma família de leitores, e lhe mostrarei o povo que dirigirá o mundo.“
Napoleão Bonaparte
Napoleão Bonaparte
“Os livros não podem mudar o mundo. As pessoas podem mudar o mundo. Os livros podem mudar as pessoas“.
“Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos.”
Nelson Rodrigues
Nelson Rodrigues
“Quando o homem quis ser como Deus, criador do mundo, inventou os livros que multiplicam o mundo. Graças a esse engenhoso artifício de tinta e de papel, podemos sentir tudo, de todas as maneiras, observar o universo com cem olhos, viajar no tempo, descer ao interior da terra e ao outro interior, mais remoto, de nós mesmos.”
José Luís Garcia Martin
(escritor espanhol)
José Luís Garcia Martin
(escritor espanhol)
“O cinema e a televisão criam imagens, a leitura cria imaginação.”
Jorge Furtado (diretor de cinema)
Jorge Furtado (diretor de cinema)
“O livro é uma extensão da memória e da imaginação.”
“Creio que uma forma de felicidade é a leitura.”
“Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria.”
Jorge Luis Borges (escritor argentino)
Jorge Luis Borges (escritor argentino)
“Os verdadeiros analfabetos são aqueles que aprenderam a ler e não lêem.”
“Leio e estou liberto, adquiro objetividade. Deixei de ser eu e disperso. E o que leio, em vez de ser um trajo meu que mal vejo e por vezes me pesa, é a grande clareza do mundo externo.”
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
“O homem que não lê bons livros não tem nenhuma vantagem sobre o homem que não sabe ler”.
Mark Twain
Mark Twain
“Há crimes piores do que queimar livros. Um deles é não lê-los.”
Joseph Brodsky (poeta russo)
Joseph Brodsky (poeta russo)
“Caminhais em direção da solidão. Eu, não, eu tenho os livros.”
Marguerite Duras (escritora)
Marguerite Duras (escritora)
terça-feira, 19 de abril de 2011
Contação de histórias na Pastoral da Criança - comunidade da paróquia São Francisco e Santa Clara
No dia 26 de março de 2011 foi um dia muito especial para mim: o encontro na Paróquia São Francisco e Santa Clara - Pastoral da criança. Não foi apenas um trabalho voluntário, mas uma vivência que promoveu um olhar diferente para o ato de contar histórias e despertou mais uma vez um projeto que estava adormecido: Contadores-mirins.
Nas aulas de Biblioteca, preparei junto com os alunos do 5º ano F e a professora Mirela, uma contação de histórias do livro "O presente de aniversário do Marajá" - James Rumford. Dividi a contação de histórias em dois momentos: as falas dos personagens para os alunos e a narrativa para mim. Foi uma experiência envolvente, pois a história por ser um conto acumulativo, proporcionou que todos os alunos participassem da contação, cada um com seu jeito de contador-mirim.
Num segundo momento da programação contei a história "Campo dos Gigantes" de Rosane Pamplona (livro: Novas histórias antigas). Desta vez com a participação de todos, principalmente das crianças da comunidade. Todos viraram gigantes, começando com um grupo de cinco crianças que foi aumentando, aumentando...
Programação do encontro na Pastoral – sábado dia 26/03/11
9h - Alongamento
Aquecimento
1. Cantigas de roda
Merequete
Todos cantam a música em círculo:
Merequetenga, tenga, tenga
Merequetenga, tenga, tenga
Merequetenga, tenga, tenga
Merequete
Depois que todos aprenderam a música, vamos aos movimentos: os participantes posicionam as mãos atrás das cabeças dos colegas ao lado, quando se diz Merequete, o orientador faz o movimento e para, todos os participantes devem também movimentar-se e parar, sempre em roda. Outros movimentos: mãos nos joelhos, mãos nos pés e volta para cabeça.
2. Jogo Toca do Coelho
Em círculo, dois participantes ficam com as mãos dadas, frente a frente, formando uma toca. No meio fica um 3º participante que será o coelho. No meio do círculo fica um participante sem toca. Ao comando do orientador, as duplas trocarão de papéis:
Quando ele falar coelho: todos que são coelho procuram outra toca, e aquele que não tinha tenta achar uma.
Quando ele falar toca: a toca (dupla) sai em busca de um coelho.
Quando ele falar vendaval: todos saem do lugar em busca de novos papéis ou continuam com o mesmo papel, apenas trocando de parceiros.
Relaxamento
Em duplas faremos massagens, primeiro com a ponta dos dedos, seguido de mãos em concha, rolo de macarrão, pinçadas.
9h30 - Música
Uma estória
Eu vou te contar uma estória
Agora atenção
Que começa aqui no meio
Da palma da tua mão
Bem no meio tem uma linha
Ligada ao coração
Que sabia desta estória
Antes mesmo da canção
Dá tua mão, dá tua mão, dá tua mão.
1ª história: O presente do Marajá – contada com a participação dos alunos do Santa (uso de máscaras).
10h – Lanche
10h30 – 2ª história: O campo dos gigantes – contada com a participação das crianças da pastoral.
10h45 – Confecção das máscaras (animais da 1ª história contada)
11h15 – Momento dirigido das duplas de alunos – jogos, leitura de livros, brincadeiras, desenho, modelagem.
domingo, 10 de abril de 2011
sábado, 9 de abril de 2011
ALUGAR OU EMPRESTAR LIVROS?
Na biblioteca onde trabalho, alguns alunos se confundem quando vão emprestar os livros. Quando chegam no balcão de empréstimos, alguns dizem: "Claudia, quero alugar este livro." Depois da explicação do uso correto da palavra EMPRESTAR, eles vão entendendo a diferença.
O termo ALUGAR UM LIVRO não é muito comum na prática, geralmente as pessoas acabam emprestando ou mesmo comprando os livros. O aluguel do livro na maioria das vezes é feito por aquele estudante que precisa muito de um livro que não está encontrando, ou em busca de livros que não são mais publicados. Há também aqueles leitores que alugam livros por achar fácil o acesso (quando entregam em casa), não precisa ir à biblioteca ou à livraria. Fiz uma pesquisa para descobrir as locadoras de livros e seu funcionamento em São Paulo. Fui investigar pessoalmente e ver as vantagens e desvantagens neste caso. Percebi que a maioria entrega o livro em casa e é melhor pagar uma taxa mensal para usufruir dos livros, pois a diária dos livros sai muito mais cara. Tem algumas locadoras que é só pela internet. As duas mais interessantes são:
Toca da leitura - ver mais detalhes no site: http://www.tocadaleitura.com.br/
Livro magia - esta locadora é especializada no público femininohttp://www.mundomagia.com.br/
Guardei um complemento da revista Mundo Jovem (nov./2010), com um artigo muito interessante sobre a locação de livros, vejam:
Encarte da Revista Mundo Jovem - Leitura, uma atitude inteligente
Para quem vive no mundo da leitura, sugiro que leiam para conhecimento o encarte da revista Mundo Jovem. Ele tem me ajudado muito nas minhas aulas e reflexões para projetos.
Autoajuda literária
Lendo a revista Educação duas palavras me chamaram atenção: autoajuda literária e educação literária. Era um artigo de Gabriel Perissé muito interessante, dando dicas de como fazer uma boa leitura e muito mais. Achei surpreendente e as partes que coloquei em destaque tem tudo a ver com o que eu acredito e na minha formação como leitora.
Autoajuda literária
Por Gabriel Perissé - 24/03/2011
Revista Educação - Edição 167
Um certo escritor belga chamado Paul Nyssens (1870-1954), engenheiro civil por formação, dedicou boa parte de sua vida a um tipo de literatura que se poderia chamar "psicologia popular", uma espécie de antepassado da autoajuda.
Cultive a ambição ardente de conhecer tudo o que é útil saber para o seu próprio benefício e para o bem dos outros.
A educação literáriaO autor de Como ler fazia um alerta àqueles que quisessem conhecer todos os autores franceses, latinos, gregos e estrangeiros, e que se dedicassem ao devoramento de romances, relatos de viagens, obras sobre história, psicologia, filosofia, ciência... Para ele, essa atividade conduz, a longo prazo, à passividade e à improdutividade.
Para cada livro bom existem centenas ou milhares de mínimo valor, ou inteiramente desprovidos de mérito [...]. Em geral, os melhores autores tratam a questão ou o tema que nos interessa do modo mais completo e mais perfeito, o que nos dispensará de ler os escritores medíocres.
O melhor é raro e o ruim, abundante. Mesmo um autor bom tem lá suas debilidades. E daí surge outro conselho:
Não é desejável ler todas as obras de um mesmo autor. Os editores, aproveitando a reputação de um autor clássico, publicam todas as suas produções, incluindo as mais fracas.
Estimular uma autêntica educação para a leitura. É este o desejo do autor. Nos primeiros anos escolares, diz Paul Nyssens, a língua materna, a leitura, a gramática, a ortografia e a aritmética são ensinadas pela repetição e pela intuição. Não há uma racionalidade explícita. Os professores e alunos atuam nesse primeiro momento de modo mais ou menos inconsciente. Somente no ensino superior haverá espaço para que se pergunte o porquê das coisas.
Revista Educação - Edição 167
Um certo escritor belga chamado Paul Nyssens (1870-1954), engenheiro civil por formação, dedicou boa parte de sua vida a um tipo de literatura que se poderia chamar "psicologia popular", uma espécie de antepassado da autoajuda.
Publicou livros em que divulgava práticas relacionadas à boa saúde, à higiene, ao comportamento social e à "autogestão pessoal". Fazia palestras abertas ao grande público e se dedicava a formar alunos por correspondência. Era adepto do uso do esperanto e da alimentação vegetariana. Em suma, um educador por conta própria, imbuído do desejo sincero de influenciar pessoas e melhorar o mundo.
Um de seus livros tinha a generosa pretensão de nos ensinar a ler e estudar com mais proveito: Comment lire et étudier avec le plus de profit. Publicado em Bruxelas em 1913, alcançou relativo sucesso. Sua dedicatória diz tudo:
Dedicamos este livro às mulheres e aos homens ambiciosos de complementar sua própria educação, harmonizar sua personalidade, fortalecer seu caráter e superar sua condição presente.
Relacionava leitura e estudo a uma existência melhor. Acreditava (com ingenuidade, talvez) na ideia de que nos livros podemos encontrar tudo o de que necessita uma pessoa para formar-se. Via naquele início de século 20, cheio de promessas e lacunas, ameaças e possibilidades, um tempo de preparação do indivíduo para os desafios da vida moderna. Todos tinham o direito, e o dever, de estudar. Praticava e defendia o autodidatismo, na medida em que via no sistema educacional vigente uma série de falhas. Estava convicto de que o futuro pertenceria àqueles que se dedicassem ao próprio aperfeiçoamento, pela via da autoeducação.
Benefícios da boa leituraInteressante frisar que para Paul Nyssens a leitura não é um ato qualquer. Tem implicações quase morais. Deve ser uma bonne lecture. Não se trata de ler por ler, ou de uma obrigação fria e rotineira. A leitura deverá ser boa para que faça bem ao leitor e torne o leitor um bom estudante, um ser humano bom, um bom cidadão.
Dedicamos este livro às mulheres e aos homens ambiciosos de complementar sua própria educação, harmonizar sua personalidade, fortalecer seu caráter e superar sua condição presente.
Relacionava leitura e estudo a uma existência melhor. Acreditava (com ingenuidade, talvez) na ideia de que nos livros podemos encontrar tudo o de que necessita uma pessoa para formar-se. Via naquele início de século 20, cheio de promessas e lacunas, ameaças e possibilidades, um tempo de preparação do indivíduo para os desafios da vida moderna. Todos tinham o direito, e o dever, de estudar. Praticava e defendia o autodidatismo, na medida em que via no sistema educacional vigente uma série de falhas. Estava convicto de que o futuro pertenceria àqueles que se dedicassem ao próprio aperfeiçoamento, pela via da autoeducação.
Benefícios da boa leituraInteressante frisar que para Paul Nyssens a leitura não é um ato qualquer. Tem implicações quase morais. Deve ser uma bonne lecture. Não se trata de ler por ler, ou de uma obrigação fria e rotineira. A leitura deverá ser boa para que faça bem ao leitor e torne o leitor um bom estudante, um ser humano bom, um bom cidadão.
Um dos principais benefícios da boa leitura é cuidar do autoconhecimento, atividade vinculada ao aperfeiçoamento, seguindo a melhor tradição platônica. À medida que lê, o leitor estuda a si mesmo, descobre seus pontos fortes e suas fraquezas, e dispõe-se a lutar para adquirir virtudes.
Por exemplo, talvez o leitor descubra, quando lê e estuda com muita rapidez, que não retém na memória os conceitos que um autor lhe ofereceu. Tomando ciência, então, de que é precipitado, apressado, inquieto, fará o esforço de ler mais lentamente, buscará assimilar com calma o conteúdo do livro.
E assim por diante. O ato de ler vai revelando o teor do livro, mas, simultaneamente, quem o leitor é: preguiçoso, dispersivo, impaciente, inseguro, com memória deficiente. Num segundo momento, a própria leitura se torna o melhor campo de batalha para combater falhas e desenvolver capacidades.
A boa leitura é boa na medida em que o leitor pratica uma ascese psicológica e comportamental. De palavra em palavra, de frase em frase, de parágrafo em parágrafo, de página em página, exercita-se, luta para atingir objetivos de aprimoramento pessoal. Cultivará uma atitude mais positiva perante si mesmo e as tarefas a cumprir. Será, portanto, mais consciente e esforçado. Será mais perseverante. Mais disciplinado. Mais concentrado. Mais entusiasmado. E mais ambicioso.
Vale ressaltar o fascínio que a palavra ambition exerce sobre Paul Nyssens. O ato de ler não é ato puramente intelectual, mas envolve a vontade. Mexe com o querer, tanto quanto com o saber. Aliás, é preciso ter vontade firme para saber:
Cultive a ambição ardente de conhecer tudo o que é útil saber para o seu próprio benefício e para o bem dos outros.
A educação literáriaO autor de Como ler fazia um alerta àqueles que quisessem conhecer todos os autores franceses, latinos, gregos e estrangeiros, e que se dedicassem ao devoramento de romances, relatos de viagens, obras sobre história, psicologia, filosofia, ciência... Para ele, essa atividade conduz, a longo prazo, à passividade e à improdutividade.
Ler bem é escolher bons livros. Outra vez a questão do bem aparece. Paul Nyssens afirma sem a menor hesitação:
Para cada livro bom existem centenas ou milhares de mínimo valor, ou inteiramente desprovidos de mérito [...]. Em geral, os melhores autores tratam a questão ou o tema que nos interessa do modo mais completo e mais perfeito, o que nos dispensará de ler os escritores medíocres.
O melhor é raro e o ruim, abundante. Mesmo um autor bom tem lá suas debilidades. E daí surge outro conselho:
Não é desejável ler todas as obras de um mesmo autor. Os editores, aproveitando a reputação de um autor clássico, publicam todas as suas produções, incluindo as mais fracas.
Estimular uma autêntica educação para a leitura. É este o desejo do autor. Nos primeiros anos escolares, diz Paul Nyssens, a língua materna, a leitura, a gramática, a ortografia e a aritmética são ensinadas pela repetição e pela intuição. Não há uma racionalidade explícita. Os professores e alunos atuam nesse primeiro momento de modo mais ou menos inconsciente. Somente no ensino superior haverá espaço para que se pergunte o porquê das coisas.
Paulo Nyssens acredita que uma vida boa, mais humana, e uma atividade profissional de sucesso dependem da escolha de nossas leituras, com base na clareza de propósitos. Seus conselhos vão nesta linha, apelando para o bom-senso do leitor. Daí não nos sugerir nenhuma lista de autores. Os critérios são gerais, e que cada qual exerça sua liberdade de leitura.
Contudo, ao citar determinados escritores, acaba indicando suas referências, certamente definidas pelo critério da "boa leitura". Mencionando Blaise Pascal, Descartes, Voltaire, inscreve-se numa tradição tipicamente francesa, com especial apreço pela lucidez mental.
Seus conselhos cartesianos são certinhos demais, adequados demais. Parecem implicâncias da vovó. Não pretendemos levá-los a sério. O que talvez seja um erro, como quando recomenda que o leitor respire profundamente durante o trabalho intelectual. Não seria, afinal, fazer uma leitura inspiradora?
* Gabriel Perissé é doutor em Filosofia da Educação (USP) e professor do Programa de Mestrado/Doutorado da Universidade Nove de Julho (SP) www.perisse.com.br
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